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CUIABÁ - O dinheiro da JBS abasteceu as contas de campanha de seis dos oito deputados federais de Mato Grosso, eleitos em 2014. A grande maioria destes parlamentares recebeu os recursos por meio das direções de seus partidos. No total, os parlamentares receberam R$ 930 mil, recursos declarados, pelas empresas, siglas e candidatos, à Justiça Eleitoral, o que é legal.

Maior exportadora de carne do Brasil, a JBS doou, naquele ano, R$ 366,8 milhões a aproximadamente 1,9 mil candidatos espalhados pelo Brasil. O maior recebedor de recursos da JBS foi também o único que recebeu a doação de forma direta, o deputado Carlos Bezerra (PMDB). Conforme a prestação de contas do parlamentar, disponível no site da Justiça Eleitoral, a empresa repassou para a campanha do peemedebista R$ 500 mil.

Em relação aos demais parlamentares, as doações ocorreram de forma indireta, ou seja, por meio de repasses dos diretórios estadual e nacional dos partidos. São os casos de Ságuas Moraes (PT), que recebeu R$ 150 mil, mesma quantia encaminhada para a campanha de Fábio Garcia (PSB). Os deputados Adilton Sachetti (PSB) e Valtenir Pereira (PMDB), à época no PROS, tiveram um aporte de R$ 50 mil cada. Por fim, outra campanha abastecida com tais recursos foi a de Victório Galli (PSC). Conforme a Justiça Eleitoral houve uma transferência de R$ 30 mil. Dos eleitos, apenas os deputados Ezequiel Fonseca (PP) e Nilson Leitão (PSDB) não foram beneficiados com recursos da empresa do ramo de carne.

Do mesmo modo, o governador Pedro Taques (PSDB) e o senador Welington Fagundes (PR), eleitos no mesmo ano, também não receberam recursos da JBS. Todas estas doações foram declaradas à Justiça Eleitoral, tanto pela empresa, quanto pelas siglas e pelos parlamentares e, de acordo com a legislação daquela época - hoje há a proibição da transferência de recursos de empresas - estão perfeitamente legais. Os políticos, inclusive, tiveram suas contas aprovadas.

O deputado Fábio Garcia explica que no caso das doações indiretas, o candidato só sabe a origem dos recursos - no caso a JBS - no momento da prestação de contas. “Nós recebemos a doação do partido e nem sabemos qual foi a empresa ou pessoa que doou para a sigla. Posso assegurar que nunca solicitei qualquer tipo de doação para a JBS e que tudo o que recebi foi declarado pela Justiça, que aprovou minhas contas”. Do mesmo modo, Sachetti explicou, em entrevista à Rádio Capital FM, que de fato há o recebimento dos R$ 50 mil.

“Foi tudo oficial, como manda a Lei, mas nessa hora eles não separam ninguém e incluem todos como se fossem bandidos para salvar os criminosos”, ressalta, citando o acordo de colaboração firmado pelos donos da JBS, os irmãos Joesley e Wesley Batista. A reportagem tentou contato com os demais parlamentares que receberam os recursos, mas nenhum deles atendeu as ligações. (sonoticias.com.br)