• Eletrofase
  • Anuncie
  • Brasil Escolar
0
0
0
s2sdefault

Cabine do tremDepois de 3 dias e 2 noites no trem, dormindo numa cabine minúscula, com 6 camas, 3 de cada lado, num lado dormiram o Alexandre, Eduardo e Pedrinho, no outro eu e mais um casal de chineses, que não falam uma só palavra em Inglês, até um pedido de desculpas (sorry) soava estranho para eles, no meu caso e do Pedrinho, cama do meio, não conseguíamos sentar, pois a cabeça ficava dobrada, então ficávamos o tempo todo no corredor ou sentados na cama de baixo, estamos cansados.

Os meus olhos inchados, os ouvidos fechados e um pouco de sangue no nariz revelam que meu corpo sentiu a viagem. Começo a pensar queOlhos inchados de cansaço  Transiberiana, viagem de trem de aproximadamente 20 dias não seria tão divertida como tenho imaginado. Dizem que a viagem de ida de Pequim para Lhasa é bem pior que o retorno. Acontecem sangramentos no nariz, dores de cabeça, etc., por causa da subida brusca. Fico imaginando, que deve ser bem difícil, considerando como me sinto no momento.

 Corredor do trem em frente cabinesNo trem, como já descrevi no relato anterior, fora nós 4, só tem chineses. Não encontramos um só chinês que falasse inglês, nem os atendentes do trem entendem o que falamos, tudo é por gesto. Por exemplo, para saber quanto tempo de parada do trem, pedia para o funcionário me mostrar no relógio. Para comprar cervejas, precisei comprar 1, abrir, cheirar, entender que era cerveja, daí comprar mais 3 para os outros, porque a escrita era toda em Chinês e os atendentes nas estações não entendiam o que estava pedindo.

Os chineses no trem nos olham com curiosidade, nitidamente com vontade de conversar, mas como? Eles ficam nos acompanhando com o olhar, se mostrando sempre disponíveis para ajudar por meio de gestos, ou por meio de uma ou outra palavra em inglês que um ou outro conhecia.

Então, fora o cansaço e algumas dificuldades, a viagem de 42 horas, passando por 4.015 km, subindo de quase 4.000 metros de altitude para mais de 5.000 metros e depois descendo para  pouco acima do nível do mar, em Pequim, foi uma experiência incrível e de muitos aprendizados, de visões belíssimas, principalmente das partes congeladas do caminho, do desenvolvimento da China e das dificuldades com o solo pobre no caminho, o que nos leva diversas vezes a lembrar do solo abençoado do Brasil e do nosso potencial, caso tenhamos um governo forte como a China tem. Um governo que de comunista percebi pouco, mas as coisas andam quando o governo quer, por exemplo, o governo Chinês tem uma bronca com o Google, ninguém pode acessar e acabou. Primeiro a coletividade e depois a invidualidade. Se é bom para o País o cidadão precisa se adaptar.

Belas paisagens no caminho de trem entre Lhasa e Pequim

Nesse momento devemos estar nos aproximando de Beijing, considerando que o céu está encoberto por uma densa poluição, o que me faz lembrar da beleza das estrelas nos céus de Brasília, coisas que temos e que as vezes nem agradecemos. A entrada de Pequim tem muitas plantações e muitos galpões. O solo é seco e aparentemente pobre, precisando de irrigação para produzir.

Realmente estou muito grato promessa experiência e pela forma legal com que tudo aconteceu, ninguém de nós ficou com a saúde debilitada, não usamos os remédios que levamos, todos estão dispostos, conversando no trem mostrando que cada um tirou o melhor da viagem e experimentou as experiências que cada um precisava experimentar nesta viagem. Agora só estando Pequim, posso dizer que já ganhamos várias viagens nesta única viagem. Foram experiências únicas em vários momentos, com aprendizados que só podem ser conquistados numa aventura como está.

Na chegada na estação em Beijing, muitos chineses nos abordam no caminho para tomar um táxi oferecendo transporte, o que normalmente é uma fria, seguimos firme e vamos pegarChumacinhos de poluição um táxi onde todos aguardam por um. Pequim, na saída da estação de trem é bem engarrafada, mas logo começa a andar. Algumas dificuldades com o taxista porque não entendeu minha tradução que fiz no Google para o Chinês, mas ele liga para o hotel e consegue achar o Dragão King Hostal.

Chegamos no hostal, banhos e depois nos informamos sobre os passeios na recepção e como ficamos no meio das estações de metrô, fica fácil para nós locomover e vamos primeiro conhecer a Praça do Céu.

Logo que saímos nos deparamos com uns chumacinhos que parecem com algodão muito fino, mas está em todo lugar que andamos, até dentro do metrô. Já tínhamos observando durante a vinda de táxi da estação de trem. Mas agora esses chumacinhos começam a entrar nos olhos, nariz, boca... Vão irritando olhos e nariz. Começamos a teorizar, eu penso que é de alguma árvore que deve ter muito aqui, os outros acham que é poluição. Depois de algum tempo um guarda fala algo que entendemos que é poluição mesmo e finalmente compreendemos que realmente é poluição.

Praça do Céu -  PequimNa Praça do céu tudo é muito grande, difícil até de se localizar no mapa. A entrada ficou uns R$ 18,00 e ganhamos autorização para 4 palácios. Fomos em todos e apesar da beleza e detalhes de mandalas e museu com objetos antigos, não me Impressiono muito, talvez o cansaço de dois dias de viagem de trem tenham tirado o apetite de conhecer. Mas de qualquer forma, tudo é bonito e grandioso como deve ter sido a dinastia Ming. Pena que não assisti o filme "O Último Imperador" antes da viagem. Teria ajudado a entender melhor.

Saímos do parque por volta das 17:00 horas e vamosPraça do Céu -  Pequim comprar uma mala. Experiência única. Entramos numa feira que parece um shopping, mas o que impressiona é a forma agressiva que os vendedores agem. Tudo começa com preço de 100 e pode chegar 20 ou 30, proporcionalmente. Mas quando você pergunta o preço eles não querem deixar você sair de maneira nenhuma. Agarram você pelo braço, puxam, gritam com você é meio constrangedor.

Encerramos o dia no barzinho do hostal, onde servem comidas que conhecemos e sem pimenta. Foi um dia bastante carregado, mas valeu a pena.

Elton Iappe

15/04/2015

Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.