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23/03/2012 - Ainda não totalmente recuperado, comendo muito pouco e um pouco enjoado, energias desequilibradas, tudo certamente ainda relacionado a intoxicação alimentar, mas feliz por estar aqui, é claro que a saudade da família, Ivanete, Amanda e Mateus sempre colabora, mas penso tirar o dia para acompanhar as meditações dentro do Ashram do Prem Baba.

A temperatura aqui, penso, estar variando entre uns 18 a 30 graus, boa, sempre com um vento soprando o que dá uma agradável sensação de bem estar. Rodeado por montanhas que ficam no meio de uma, não sei bem, mas acho que é uma mistura de fumaça e névoa. Um sol que não arde muito, já que precisa vencer essa névoa que encobre o local.

Saímos lá pelas 8:30 horas do Hotel e vamos tomar um café da manhã, depois vamos ao Ashram para acompanhar o Gayatri Mantra que é recitado 108 vezes, todas as manhãs, das 9:30 até as 10:30 horas, em uma sala dedicada ao primeiro “iluminado” e fundador do local. Na sala também tem uma foto do antecessor(Sri Maharaji) do Prem Baba, sendo que atualmente teriam dois iluminados, a outra é uma Senhora americana, que também transmite seus conhecimentos em uma sala próxima.

Entramos na sala onde entoam o Gayatri Mantra, que segue abaixo com uma tradução, mas podem ter outras traduções e é um dos mantras, na minha percepção, mais entoados pelo mundo, com pequenas paradas no meio o Gayatri é entoado 108 vezes, excelente experiência.

Om bhūr bhuva svar
tat savitur varenyam
bhargo devasya dhīmahi
dhiyo yo nah prachodayāt

Tradução

"Que nós possamos atingir aquela excelente glória de Savtr. Para que, assim, ele possa estimular as nossas orações."

Savitr: (nome de uma deidade solar)

Mas existem outras traduções possíveis

Depois andamos pelo local e descobrimos outras atividades que acontecem, vamos até um estábulo de vacas, muito bem cuidadas e que segundo o indiano que cuida, ficam sempre por ali, dentro do estábulo totalmente fechado, ou seja, quase não veem a luz do dia. O Ashram é um labirinto com coisas acontecendo a todo momento, meditações, rituais, mantras, Satsangs e outras coisas mais, começo a entender porque as pessoas vem para cá e ficam o tempo todo dedicadas ao local.

O Prem Baba chega por volta das 11:00 horas conforme previsto, por uma porta lateral, todos se levantam e o recebem de pé, com as mãos juntas a frente do peito e a expressão Namastê, que resumidamente significa: “O meu Eu superior, cumprimenta o seu Eu superior”. Todos aguardam de pé, até que Ele se senta, então todos voltam a tomar o seus lugares.

Continuando, o Prem Baba fala sobre o ano novo Védico, seus rituais e tudo mais relacionado e são sempre palavras serenas, tranquilas e de muita sabedoria. Durante o trabalho são cantados mantras e hinos em português. Achei a experiência bastante rica. Realmente valeu a pena conhecer.

Depois vamos para o almoço, como estou cansado, ou melhor dizendo, enjoado de comer cremes e melequinhas, peço uma pizza, o atendente me informa que não tem queijo, então vai sem mesmo. Opa, consegui comer bem e me sinto bem melhor. A tarde, 18:30 horas marquei uma massagem Ayurvedica, não sei bem o que é, uma vez que nunca fiz, no entanto, o Ismail que conhece dessas coisas, disse o cara seria um dos melhores por aqui e que aprendeu o ofício do pai dele, que teria sido um Mestre no assunto. A questão é, uma massagem dessas no Brasil não custa menos do que R$ 200,00, no entanto, aqui, custa o equivalente a R$ 16,00. Será que é bom mesmo?

Hora marcada lá estou eu, a massagem dura uns 50 minutos. O cara usa técnicas muito boas, pois depois que ele termina a massagem, até o joelho não dói mais, as costas que estavam acabadas estão recuperadas, realmente me sinto novo e tudo isso por R$ 20,00, já que adicionei um pouco porque fiquei muito satisfeito.

Como já é tarde vamos jantar algo, como o Ismail tinha feito amizade com uns Mexicanos, tem uma moça que vai jantar com nós, ela andou desde o sul da Índia até aqui, extremo norte, tem 63 dias que Ela está viajando pela Índia, de estômago ruim, perna machucada, disse que iria ainda ficar 27 dias antes de voltar para o México. Fizemos perguntas sobre os cuidados na limpeza lá pelo Sul e Ela disse que é ainda pior e que esse seria o padrão, as vezes um pouco pior e as vezes muito pior.

Engraçado como, acho que estou me acostumando com a sujeira, pois depois de comermos uma comida com ótimo sabor, incluindo um prato Israelense, servido sobre folhas de repolho e pagarmos por tudo somente R$ 20,00, contando com bebidas e tudo mais, precisei falar com o atendente e me dirigi até a cozinha. Eu tenho absoluta certeza que vocês nunca viram algo semelhante, mas garanto mesmo. A sujeira sai do chão, vai para as panelas, na roupa dos cozinheiros, nos utensílios, em tudo. Mas é muito, coisa difícil de acreditar! Isso que o restaurante é de excelente aparência por fora e caríssimo, em se considerando os outros. Eu olhei aquilo tudo e não me surpreendi e nem fiquei com algum trauma em relação ao que comi. Pensei como rapidamente nossos padrões, diante da fome, tomam novos rumos.

Seguimos para casa, eram umas 12:00 horas da noite, ninguém na rua e também nem uma preocupação com a segurança, apesar das ruas e vielas escuras, acredito que eles nem sabem assaltar. Realmente me sinto seguro. Se fosse no Brasil, certamente estaria desesperado, ainda mais se fosse em Taguatinga, ou Ceilândia.

Amanhã estou indo para um trekking de três dias, pelas montanhas do Himalaia e como por lá não tem luz, nem internet e nada, então vou ficar vendo e vivendo as montanhas.

Elton Iappe