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19/03/2012 - Hoje acordamos cedo, 4:30 horas da manhã, tomamos um banho, mochilas e malas arrumadas e vamos em direção a Rishikesh. É 6:30 horas da segunda-feira agora e o Ismail está conversando pelo celular com a família dele, eles ainda não foram dormir, pois no Brasil ainda é domingo, dia 18 e nós já estamos no dia 19. Interessante essa diferença, quando se para pensar sobre o assunto.

Na saída de Agra, já tem um monte de montadinho de homens. Como observamos, pense num povo que gosta de fazer um amontoadinho de homens, sem a presença das mulheres. Não sei bem, mas elas devem ficar mais em casa. Paramos para abastecer o carro, como já sabem gasolina a R$ 1,53 o litro... Muito mais barato que o Brasil.

Seguimos viagem novamente, no caminho, ao lado da estrada existe uma faixa de mato, bem ralinho e de boa contemplação e no momento, quase 7:00 horas, o povo está indo ao banheiro, que aliais é esse mato na beira estrada. Alguns de bunda virada para a estrada, outros de lado outros de frente, fazendo suas necessidades de forma tranquila. Por isso que não tinha visto banheiros populares até o momento. Mais uma descoberta, onde os Indianos fazem suas necessidades. A higiene até que é boa, pois normalmente estão carregando uma  garrafinha de água. Tem um acocado ao lado de um ponto de ônibus, assim como outros, na tranquilidade, fazendo o que precisa ser feito. Bem se alguém não sabia, ou não acreditava, é verdade. As necessidades são feitas em qualquer matinho que aparecer.

Interessante observar que nessa hora da manhã quase não se vê mulheres transitando. Vale ressaltar que, também não se vê mulheres, no geral, se comportando, como poderia dizer, de forma inadequada, ou seja, mulheres mantém um padrão de atitude e de respeito. Não tem aquele olhar de quem está disponível. Parece-me que esta atitude está ligada a um forte vínculo familiar. É muito comum se ver andando avós, pais, filhos juntos, ou seja, as famílias se mantêm juntas, até porque, como a presença da o Estado na saúde é pouca, se não for a família, que iria ajudar? Apesar de que percebo que a solidariedade humana aqui é muito mais forte do que no Brasil.

 

Na saída também observamos que tem muitas pessoas que dormem dentro do Tuc-Tuc que usam para trabalhar, ou seja, param em algum ponto e dormem dentro dele. Os que não têm Tuc-Tuc dormem em qualquer lugar, sem que aparentemente sejam incomodados. Acho que a vida no sentido de “deixe o outro viver” é mais bem compreendido, digo isso porque recentemente queimaram dois mendigos nas ruas da Ceilândia.

Passamos por alguns ônibus, alguns são muito bem utilizados, pois tem gente dentro, grudado nas portas e em cima do bagageiro, não são todos, mas alguns, penso que não é proibido, daí faz quem quiser. Se alguém cair, foi obra do destino e também quem vai sentir falta de um no meio da 2ª. maior população do planeta e possivelmente a maior em 2.020, com regras de segurança como as nossas, já imaginou qual seria a quantidade de Indianos?

O trânsito na estrada para Rishikesh, a exemplo das outras é bem complexo em função da variedade de meios de transporte, tratores, riquixás, camelos, cavalos, caminhões, ônibus, carroças, pedestres, vacas santas, bicicletas, motos, não sei, mas tem mais coisas disputando a estrada? Bem, fica bem difícil de colocar tudo. Engraçado que como nas cidades, é buzina pra todo lado, mas você não vê ninguém de cara feia por causa da buzina e estamos no terceiro motorista, fora taxis e tuc-tucs e ainda não vi nenhum deles reclamar das barbaridades que acontecem no trânsito, ou melhor, que eu acho barbaridades. Estão sempre de cara tranquila e serena. Preciso aprender isso, porque as vezes, o trânsito no Brasil ainda me cansa. Se conseguir descobrir com eles, como manter essa serenidade no trânsito, conto para vocês depois. Esqueci, estamos com sorte, até o momento não encontramos fiéis em peregrinação.

A viagem corre bem, em Nova Delhi pegamos um engarrafamento, ou melhor, vários. Muito carro para pouca estrada. Nessa região também não vejo uma possa de água que não esteja poluída. Paramos para almoçar e tem uns garotos, meninos de uns 16 anos, me procuram para conversar, para saber de onde somos, perguntar algumas coisas sobre o Brasil, etc. No restaurante, bem retirado, mais no interior, ninguém nos olha com cara ruim, mas percebemos que nos observam com o canto do olho, certamente inspiramos a curiosidade deles, tanto como eles a nossa.

Muito legal, pois você nunca vê pessoas bebendo bebidas alcoólicas, penso não ser proibido por lei, conforme no Egito, mas ainda assim ninguém bebe e a tranquilidade reina. Estou realmente impressionado com os indianos e sua maneira de se comportar diante das coisas. Eu até já estou todo desleixado, pego a câmara fotográfica em qualquer lugar, abro a carteira sem muita atenção, já não cubro meu relógio... Então se me roubarem, a culpa vai ser mais minha do que deles, mas tenho certeza que vai dar tudo certo.

Os indianos gostam muito de política, acho que é porque acreditam que nisso eles tem o direito, no entanto, tente falar sobre “políticos” e adivinhe? Falam mal. Nisso se parecem com os brasileiros, não é?

Chegamos a Rishikesh às 18:00 horas e paramos somente uma hora para almoço. Agora pesem nós levamos 11 horas para fazer 400 km, por aí pode se ter uma noção da dificuldade que é transitar por essas estradas. Que saudade das estradas do Brasil.

Rishikesh é diferente, mais bonita e aparentemente um pouco mais rica do que outras partes da Índia. No caminho também passamos muitos condomínios em construção, penso que realmente a Índia a exemplo do Brasil vem dando um salto no crescimento, com muitas obras em andamento. A diferença está na quantidade de pessoas que tem neste País. Nesses 400 km que andamos hoje, não vimos um só trecho que não estivesse povoado e alguns muito povoados. Começo a pensar que na Índia não tem cidades, tem uma cidade, pois as vilas vão se emendando, formando uma imensa cidade.

Bem, obrigado pelos comentários. Como disse antes, a partir do relato de um amigo (Martin), viajando pela Índia e da maneira que viajei com ele é que me incentivou a fazer o mesmo. Aqui em Rishikesh, além de meditação, penso em fazer um trekking de 2 dias pelas nas montanhas aqui perto.

Elton Iappe
Rishikesh-India