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Já tem uns 2 dias que parece que tem sujeira no nariz, ao limpar são pedaços de sangue e hoje pela manhã está cheio de sangue, ainda não sangrou pra valer, mas todos estão com os mesmos sintomas. Farmácia para algum remédio, só se passar o Salar de onde graças a Deus, ontem, conseguimos desatolar o Troller, então é se virar com o que temos. Mas as paisagens compensam tudo.

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Entrando no terceiro dia sem comunicação por telefone, ou internet, não sabemos de nada que está acontecendo e não é ruim, pois podemos nos focar apenas no que importa, A VIAGEM e com os sintomas iniciais da altitude, pouca fome, um aparente mal estar, sangramento no nariz, cansaço após pequenas tarefas e respiração ofegante.

A gasolina nas motos está tranquilo, diesel para o Troller nem tanto e no caminho não temos muita esperança de encontrar diesel S10, talvez na fronteira, mas acreditamos que chegamos lá, se não teríamos de apelar para o diesel comum. Aqui a SUVs que dominam quase absolutas a região, são todas a gasolina, mas como eles pagam somente R$ 2,00 o litro, não preocupa a eles os gastos.

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Hoje devemos encarar uns 40 km de estrada de chão, depois Aduana e dai Chile. Dizem que lá pelo Chile a infraestrutura das estradas é melhor e devemos pegar quase só asfalto, espero, porque as informações aqui são sempre meio desencontradas e só pôde-se ter certeza de algo depois de confirmar várias vezes. Mesmo já tendo visto vídeos, relatos e outros, ainda assim pode-se entrar em alguma fria. Mas como o nome da nossa trip é “EXPEDIÇÃO SALAR DE UYUNI 2018”, todas essas dificuldades fazem sentido.

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Mais um detalhe sobre nossa travessia do Salar, como a água do Salar bateu nas roupas e na moto inteira, além das manchas brancas que por mais que você limpa continuam, tudo está meio endurecido pelo sal. Gente, é sal demais!

Pegamos a estrada, tem bastante areia, pedrinhas e poeira, muita poeira. Numa curva, daquelas que você quase vê a placa da moto, fui trocar de pista, para o caso de um carro vindo do contra e a roda da frente travou, tentei pular fora da moto, mas a perna não saiu tão rápido como eu queria e a moto caiu em cima, sorte que não machuquei, os outros chegaram e levantaram a moto. É! Essa estrada não é para os fracos e depois dos últimos dois dias, principalmente os últimos dois, eu me classifico entre os fracos.

Continuando a viagem, com muita costela de vaca, tanto que a moto parece que se encolhe ao passar, chegamos nos 40 km e nada de asfalto, apenas entramos numa estrada levantada, mas continuam as pedras, também as costelas de vaca e a poeira. A única vantagem são as paisagens. No caminho passamos por algumas vilas e no caso daqui, vilinhas e para vilinha daqui, eu não teria parâmetro comparativo no Brasil. Umas casinhas de tijolo de argila, levantado com barro, normalmente cobertas de zinco, mas tem coberturas de palia e outras coisas que não identifiquei.

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Depois de 76 km rodados e o corpo moído, paramos para almoçar em San Juan, descobrimos que ainda faltam 50 km e adivinhem? Chão bruto. Mas o que fazer? Vamos encarar a estrada que deve ter o mesmo padrão que observamos até aqui, pedra, poeira, areia e costela de vaca.

San Juan – Bolívia, parecia grande mas é tão vilinha como as outras. Posto de gasolina? Nem pensar. Restaurante, boa piada.

Pegamos a estrada e as coisas só pioraram, as costelas viraram costelões, a moto pula pra cá e pra lá e a viagem foi sendo entre 10 e 30 km por hora. Paramos perto de outro Salar para tirar umas fotos e apesar do ambiente inóspito, de sal, terra fraca, vegetação rasteira, ventos fortíssimos e estradas muito mau cuidadas, impressiona pela beleza de contemplar as montanhas, os salares e picos nevados.

Logo mais à frente minha moto começou a engasgar, mas ligava de novo, depois de umas 5 engasgadas e de uns minutos, ela volta a funcionar. Gasolina de má qualidade? Só pode. Pedi para parar e completei com gasolina que trouxemos da Argentina e ela voltou a funcionar normalmente. Depois de rodar 189 km de estradas péssimas, chegamos à fronteira com a Bolivia. Falaram que já tinha encerrado. Eram 18:00 horas, mas que nos atenderiam, desde que pagássemos $ 15,00 Bolivianos para cada um, cerca de R$ 7,50. Na porta, bem grande estava escrito “Atendimento até às 19:00 horas”. Melhor não discutir. Autoridades Bolivianas desonestas não são novidade.

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Nos liberaram e saímos com tudo para chegar antes das 19:00 horas na aduana do Chile. Chegamos às 18:57 horas. Nos atenderam, bateram os carimbos, precisamos preencher os documentos do veículo e fomos todos para a vistoria. Desceram tudo das motos e do carro. Como não tinha mais ninguém, nos liberaram dentro 1 hora mais ou menos. Pedimos sobre hotel e disseram que tinha um na vilinha ao lado (Hostal Atahualpa). No primeiro que fomos, Nossa! Muito ruim. Andamos até o Atahualpa, vimos os quartos. Ótimos, fazem a janta e tem uma ótima garagem para os veículos.

Exaustos pelos 40km que viraram 189km. Jantamos e depois de umas pequenas e curtas histórias da aventura do dia. Cama. Amanhã tem mais. Nosso destino amanhã é Iquique, Chile .

Elton iappe

24/04/2018

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