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Não dormi bem esta noite por vários motivos, Troller e trator para tirar da lama amanhã e pense numa argila boa para tijolos, gruda nos pneus, mas roupas, em todo lugar, agora pensem num sal grosso mistura com argila, quando colocamos as mãos, essa mistura causa perda de sensibilidade nas mãos. No ponto que atolamos, o sal não passa de uma camada de uns 2 a 5 cm. Quando se faz um buraco, rapidamente ele enche de água salgadíssima e nós estamos com nosso carro ali. Os outros também não dormiram bem, pensando nas possibilidades e no trabalhinho nos espera.

Por volta das 07:00 horas, o dono do trator passa vazado, só grita, vamo-nos! E foi. Acho que pensou que iríamos todos de moto. Só que não. A maioria está tão cansado que nem quer ouvir sobre ir de moto, além disso tem o Marti. Pedimos para o dono do hotel levar 3 e eu e o Sandro fomos de moto, caso precisasse buscar algo ou se o dono trator não nos esperar. O Andrey com problemas na moto ficou no hotel para arrumar a parte elétrica da moto dele.

Chegamos no local do atoleiro e o dono do trator, a esposa e o irmão já estavam na lida. Para levantar a roda do trator, colocava o macaco, depois preenchia o buraco com sal, devemos ter levado uns 80 carrinhos de sal que coletávamos num local que o sal dava uns 5 cm.. Assim vamos buscando carrinhos e mais carrinhos de sal. Coloca pranchas sacos, madeiras e depois de umas 3 horas o trator sai.

Já pegamos as ferramentas, madeiras, sacos e levamos para o carro, pensando que talvez eles fossem embora. Mas eles voltaram e pegaram junto. Só que antes de começar pediram se alguém tinha experiencia em desatolar carros. O Marti disse que sim, pois faz trilhas. Ele então disse que ele pensava e nós devíamos fazer. Como estamos precisando de ajuda, ninguém discute e os trabalhos começam. De carrinho em carrinho de sal vamos preenchendo o buraco, enquanto os outros vão macaqueando o carro para cima.

Acho que foram uns 100 carrinhos de sal no carro. Eu mal fico de pé ainda é os outros também estão acabados. O dono do trator, a esposa e o irmão, de tempos em tempos colocam algumas folhas de coca na boca e ficam mastigando. Como estão sempre mastigando, a boca deles é verde e ao redor dos lábios fica uma crosta verde.

Lá pelas 16:00 horas começamos a movimentar o carro. Já não aguentava mais buscar sal. Anda um pouquinho, tira as madeiras, coloca atrás, anda mais um pouco e repete. Até que de repente o carro começa a andar e andar e lá se vai para um caminho no sal a uns 200 metros. Dai começamos a recolher as madeiras, contas, sacos, pranchas, lonas e as coisas que tínhamos tirado do Troller. Lá pelas 17:00 finalmente estamos hotel. Nós cobraram uns R$ 400,00. Mas sem os equipamentos, pranchas, contas, como iríamos conseguir o carro?

Interessante, como a altitude aqui é de uns 3.800 metros de altitude, não existem árvores, então Madeira aqui é artigo de luxo e o que mais ele pedia era para não extraviamos as madeiras. A gente da tão pouco valor para amadeira.

Todos lavaram as motos meio por cima, tirando o grosso do sal e assim que acharmos um lava jato lavamos elas de verdade. Finalizando, ontem escrevi que só eu e o Andrey ainda não tínhamos deixado a moto cair, então ontem no final da noite, eu e ele deitamos as motos também, mas a exemplo dos outros não houve danos aos pilotos e nem para as suas máquinas. Que bom, porque aqui, quando você pensar no fim de mundo, deve ser aqui.

O dono do hotel contou várias histórias de turistas que se perdem no Salar. Contou a história de 3 motos no ano anterior, que as motos pararam de funcionar por causa da água e o sal. Só conseguiram tirar as motos depois de 3 dias. Mas tem muitas outras histórias. Mais um detalhe, os nativos aqui sabem falar o Ketchua (língua dos Incas), além do espanhol.

Agora vou dormir como queria ontem, com o carro parado em frente o hotel e todas as motos funcionando, então hoje está assim. Mais, já estamos 3 dias sem qualquer comunicação com o mundo exterior, sem sequer avisar as famílias que estamos bem. Sem internet a prosa está rolando colo nunca. Acho que só vamos conseguir falar com alguém amanhã à noite. Precisamos encarar uma 40 km de estradas de terra, sem sal graças a Deus, depois pegamos asfalto novamente e comunicação, talvez amanhã.

Mas estamos todos muito bem, apesar do cansaço, felizes porque amanhã vamos pegar a estrada novamente.

O hotel que estamos é de sal. O piso é sal grosso e paredes de tijolos de sal. Muito interessante.

Elton Iappe

22/04/2018

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