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Ontem chegamos tarde para sair do Salar pôr Chuvica e decidimos montar acampamento. A temperatura à noite chegou a uns 2 graus, sorte porque se baixa mais eu iria ter problemas, já que tinha usado todos os recursos de roupa disponíveis e estava no limite entre começar a tremer e conseguir dormir. Não dormi muito porque deixei o casaco da moto como último recurso para não sentir frio, só que as proteções internas dificultaram os movimentos dentro do saco de dormir e assim passei a noite em claro, esperando a cada minuto ouvir o despertador e descobrir que tinha dormido a noite toda, mas nada de despertador. Demorou demais amanhecer.

Pela manhã, tomamos café da manhã de frutas secas, bisnagas e chá de coca. Reunimos, decidimos encarar os 10 km restantes para Chuvica. Outra opção seria voltar para Uyuni e encarar a travessia. Decidimos seguir em frente, por um caminho que os carros de turistas usam, mas logo o bicho pega, por causa da água. Decidimos seguir o GPS. Passamos por um trecho que até a viseira do capacete estava branca de sal por causa da profundidade do lençol de água. 

Paramos de novo e decidimos que vamos continuar em direção a Chuvica, até porque para voltar seria encarar novamente o mar de água, que encanta pela visão, mas assusta pelas dificuldades de se localizar e sair dele, pois não tem caminhos mapeados, já que os Jeep de turistas criam seus caminhos e mudam constantemente.

Vamos seguir, as motos vão seguindo o Troller, no entanto, o Marti atola o carro e não sabemos o que fazer. O Sandro colocou a moto de pé e ela caiu, de tão mole que está o sal misturado com barro. Vou até lá e colocamos ela em pé. Voltamos e tentamos empurrar o Troller e ele não se mexeu. Fiquei de dar uma olhada para ver se encontro algum trilho de carro próximo de onde atolamos e o Celso me acompanha. Encontramos a saída. Agora é achar um trator para buscar o Marti. Recebemos orientação que em uma vila próxima (Atulcha) tinha um. Vamos até lá.

Em Atulcha nos informaram que todos estão trabalhando, pedimos para um vir que pagaríamos e agora estou aqui sentado, cuidando das motos enquanto o Celso negocia com o boliviano do trator. Sem problemas, o Celso é Mineiro, pechincha sempre. Apesar de preocupado com o pessoal que ficou lá no carro, não tem como ir avisar, porque seria voltar sozinho e isso é arriscado, caso a moto caia e as condições para erguer forem ruins, precisa de dois para por ela de pé. Até agora só eu e o Andrey e nem nossas motos caíram. Que continuemos assim. As motos que caíram, todas não tiveram prejuízos.

O nosso objetivo era o Salar de Uyuni. Valeu a pena, apesar das dificuldades, pois o lugar é literalmente onde o céu toca à terra, pois com o reflexo do Sol na lâmina de água que cobre uma parte do Salar, onde inclusive nós ficamos atolados, você não consegue saber qual é o céu e qual é a terra, quando estiver vendo uma foto.

Já são 16 horas e ainda não tiramos o carro do atoleiro. Acho que nosso cronograma vai furar. Hoje iríamos seguir viagem em direção à Iquique. Nós temos andando quase sem parar nas cidades, então se for programar uma viagem, nas semelhança da “Expedição Salar de Uyuni 2018”, programe no máximo 350 km por dia.

Como está demorando muito desatolar o carro, apesar do trator, numa caminhada encontrei algumas tábuas e decidi colocar elas na moto e levar até lá. Quando cheguei, já tinham desatolado o trator que tinha atolado quando tentou puxar o carro e estavam mexendo com o carro. Todos com ar de acabados. Depois de arrumar tudo, o trator tentou puxar e atolou novamente. Eu e o Sandro fomos ver sobre a reserva do hotel, tudo certo, contratamos o dono do hotel para nos levar de volta.

Chegando, o pessoal tinha tirado as motos da área mais difícil e iriam voltar com o carro do irmão do dono do trator com mais tábuas. Já 21:00 totalmente no escuro, só tem lugar para 5 no carro que vai até o atoleiro e eu acabei voltando com o motorista do outro carro, paramos no hotel com o carro que tínhamos contratado. Agora estou aqui digitando, sentado no hotel, com muita vontade de estar lá ajudando, mas confesso que sequer consigo erguer bem a cabeça e olha que eu sou o que menos trabalhou até o momento.

No hotel de sal que vamos ficar em Atulcha, apesar de bom, não tem internet e nem telefone. Pudera, a cidade deve ter uns 90 habitantes e fica tão fora da civilização que fico pensando: do que vivem por aqui?

Quase 23:00 horas chegam todos, mas trator e o Troller ficaram lá.

A dona do hotel tinha feito uma sopa maravilhosa, só que não estava previnida para receber hóspedes e se virou nos 30. Fez quinoa (não gostei do sabor), carne de boi e uns tomates. Pensa numa comida boa, já que ninguém almoçou.

Amanhã será um dia longo, porque precisamos desatolar o trator e o carro. Como dormir, lembrando que o carro não está na frente do hotel?

Pra finalizar a moto do Andrey (Triumph 800) deu problemas na parte elétrica depois de deixar ela cair na areia e precisamos rebocar ela até o hotel. Mais um problema. Se essa moto não pegar, estamos no outro lado do Salar e os mantimentos, gasolina e tudo mais vem de Uyuni, só de pensar em voltar para traz dá um arrepio.

Elton Iappe

22/04/2018