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Por incrível que pareça o Hostal que dormimos custou R$ 30,00. Camas limpinhas, tudo novinho, tinha sauna e até mesa no quarto, incluía ainda um café da manhã, além de garagem para as motos. Descansamos muito, o Francês que tem o nome Jasser, em homenagem a Jasser Arafat, cedo já bateu na porta. Arrumamos tudo, uma reunião antes para definir algumas estratégias para o dia, passamos no posto para abastecer e pé na estrada, em direção à Uyuni, nosso principal objetivo nesta viagem.

O Francês foi na frente e acho que ele não queria ir por Atocha, mas por outro caminho todo asfaltado, mas que dava o dobro da distância (410 km). Depois de andarmos uns 20 km, num pedágio, eu peguei meu celular e vi que estávamos errados e voltamos. Interessante: aqui também, motos não pagam pedágio, sorte, esperando o Marti, me dei o trabalho de olhar. A outra estrada teria uns 60 km de estrada de chão e mais 140km de asfalto. 

Logo na entrada da outra estrada já era chão, pega a estradinha ali, lá, vai pra cá e erramos a entrada, passando no meio do Rio de desgelo. Com vários córregos para passar o Francês acabou caindo duas vezes, o Troller do Marti finalmente se divertiu um pouco andando na água, uns travaram um pouco para atravessar os riachinhos, outros menos e fora o Francês, ninguém mais caiu. Parei para tirar fotos. Lugar lindo, com montanhas diferentes, de terra, que se formam porque não chove, apenas com a erosão dos ventos e desmoronamentos.

Seguimos viagem e subindo e subindo, passamos dos 4.000 metros de altitude. Essa estrada entre Tupiza e Uyuni é bem recente e em vários pontos pegamos muita poeira, de ficar tapado, como brincamos “finalmente algo difícil”. Interessante: para os bolivianos a gasolina custa R$ 2,00. Para veículos com placas de outros países é o dobro, R$4,00, mesmo para quem faz parte do Mercosul. 

Paramos numa cidade que chama Atocha para comer e abastecer. Almoçamos num restaurante super legal, com quadros da altura das mesas até o teto, comida deliciosa é um café expresso. Depois precisamos voltar 2 km numa estrada que cortava no meio de um rio, com pontos de areia, adivinha? O Francês caiu novamente. Corremos para ajudar e ele só repetia “Is not my day!” – não é meu dia. Depois de colocarmos ele de volta no caminho, falei umas palavras de conforto e ele animou. Outras duas motos caíram hoje, mas sem os motociclistas, por causa do vento e desnível do terreno. Ninguém se machucou.

Com a altitude o frio está pegando e temperatura não passou de 19 graus. Uyuni, com 3.679 metros de altitude, à noite pode chegar a -1 grau. Trocamos as roupas, colocando primeira pele, casaco e tudo certo. Amanhã pretendemos dormir em barracas no Salar de Uyuni. O problema que não temos plano B se a temperatura baixar de “0”.

Agora durante o jantar, encontramos uma brasileiros que desaconselharam ir de moto ao Salar de Uyuni, porque poderia dar problemas na parte elétrica. Conversamos com outros, mas não tem jeito de ir sem passar na água, uns 500 metros com água de até 30 cm., seria o melhor caminho. Não sabemos bem o que fazer. Mas penso que vamos, já que a intensão é dormir no Salar. Vamos ver o acontece.

Elton Iappe

20/04/2018

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